Como a Internet das Coisas se aplica aos negócios

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Lucas Pinz é diretor de tecnologia da PromonLogicalis e trouxe a internet das coisas para dentro da empresa
Foto: Roberta Fofonka/Especial/JC

Feira em São Paulo tratou do assunto e mostrou que apenas 1% das coisas conectáveis no mundo estão conectadas

Roberta Fofonka, de SP

publicado em 27/10/2016 08:52
atualizado em 27/10/2016 08:52

Imagine que alguém perto de você está tendo um ataque do coração e é preciso chamar uma ambulância para prestar socorro. No exato momento em que o veículo sai da garagem, todos os semáforos passam a estar verdes, garantindo que ele chegue mais rápido para remoção e atendimento do paciente. Isso só é possível a partir da Internet das Coisas (ou mundialmente conhecida pela sigla IoT – Internet of Things, em inglês). Trata-se de um passo que o mundo está dando neste momento e que poderá ser aplicado no grande ou no pequeno negócio.
A Internet das Coisas já está inserida no cenário brasileiro. Para que ela se desenvolva, no entanto, é preciso que o País avance mais em conectividade. Não à toa que a maior empresa de telecomunicações do mundo, a chinesa Huawei, por exemplo, está investindo forte na parceria com universidades para desenvolver a expertise tecnológica de Internet das Coisas e cidades inteligentes a longo prazo.
Sob o conceito de colocar as pessoas no centro dos processos usando a tecnologia a serviço delas, os objetos conectados reúnem informações e automatizam processos para que nós, Homo sapiens, não precisemos nos ocupar com tarefas ordinárias, ou possamos fazer escolhas sobre o que há à nossa volta a partir de dados coletados. Isso possibilita que as cidades também funcionem de forma inteligente (as tais smart cities), partindo da experiência do usuário para apresentar soluções, como a cena descrita no início do texto. “Estão todos muito preocupados com a experiência do usuário”, afirma o executivo da multinacional Qualcomm, Hamilton Mattias.
Na corrida da inovação tecnológica, por sua vez, é mais difícil andar só. Para avançar nesse segmento, muitas empresas que são concorrentes acabam trabalhando em parceria. “Até 2020, que é apenas daqui quatro anos, o mercado de IoT estará movimentando R$ 320 bilhões no Brasil”, afirma o gaúcho Lucas Pinz, 34, diretor de tecnologia da PromonLogicalis. Natural de Canguçu, foi ele quem trouxe a Internet das Coisas para dentro da multinacional de telecomunicações. A empresa começou a desenvolver soluções para o mundo afora a partir do mercado brasileiro. Segundo ele, o brasileiro ainda não se deu conta da possibilidade da IoT na prática, mas isso vem junto com o avanço da digitalização. “Apenas 1% das coisas conectáveis no mundo estão conectadas”, diz.
Hoje, segundo a pesquisa Global Mobile Consumer Survey 2016, os equipamentos conectados mais usados por brasileiros são as smart TVs (28%) e videogames (18%). Os eletrodomésticos inteligentes marcam 6% desta fatia e, depois dos televisores, o que mais interessa adquirir em termos de IoT são sistemas de segurança.
Veja ao lado alguns exemplos bem concretos do que pode ser aplicado em diferentes setores, que pudemos experimentar na Futurecom 2016, maior feira de telecomunicações da América Latina, realizada em São Paulo na semana passada.

A começar pelos ‘vestíveis’

Há um tempo ouvimos falar dos dispositivos de vestir (wearables, em inglês). Temos aí o relógio e o óculos do Google que não nos deixam mentir. Na Futurecom, encontramos uma camiseta inteligente, com sensor incorporado para medir o batimento cardíaco e poder acessar sinais elétricos, que já está sendo vendida no Japão. Com um transmissor acoplado, leva informações do organismo para o celular do usuário e permite detectar a sua situação de saúde. Pode ser usada para monitorar pacientes em hospitais e idosos a distância. “Além de outras funcionalidades que estão por vir quando as pessoas tiverem acesso a estes dados”, afirma Adolfo Cuenca, sócio da empresa Everis (Grupo NTT), criadora do produto. Ele diz que para a higienização é preciso somente tirar o transmissor e proceder com a lavagem normal. O preço é de US$ 90 pela peça e mais US$ 90 pelo transmissor.

Mudanças no varejo

Algumas funcionalidades vêm para proporcionar uma experiência de compra diferente para o consumidor. Por exemplo, você chega no supermercado e, ao tocar em um produto específico, uma tela disponibiliza as principais informações nutricionais e até receitas para serem feitas com o mantimento. Após ler o conteúdo, você decide levar a mercadoria para casa e, ao retirá-lo da gôndola, através do sistema de monitoramento de vídeo, o estoque já está sendo informado sobre a reposição, o que facilita também a vida do varejista. Há opção para moda e vestuário. Você precisa de uma roupa para ir a um evento e não sabe o que combinar com aquela calça que achou na arara? Ao encostar o sensor acoplado a ela em um leitor, uma tela mostra se há o seu tamanho disponível, quais as combinações possíveis com outras roupas da loja e o preço.

Agronegócio

Com um balão que tem várias camadas, é possível distribuir sinal de internet por várias extensões de terra, possibilitando a agricultores mais pontos de acesso de informação de suas propriedades, captada por sensores. O equipamento ainda é à prova de tiros que o façam cair imediatamente.
Minha casa, meu banco de dados

Dentro de casa temos vários eletrodomésticos, como geladeira, computador, lâmpadas, forno micro-ondas, ar-condicionado, televisão. Mas a conta de luz é uma só, certo? Existe um aparelhinho, lançado pela PromonLogicalis, que controla em tempo real o consumo de energia de forma individualizada. Como cada eletrônico tem uma assinatura elétrica, ele age como um desagregador de carga, registrando esses dados separadamente. “Você passa a ter controle sobre coisas que não tinha, por elas estarem conectadas”, elucida Lucas Pinz.
A ideia é que o produto esteja disponível no mercado para ser vendido junto a pacotes de internet banda larga, ainda sem data prevista.

Automóveis

Com o carro conectado, é possível saber informações sobre os hábitos do motorista. Seguradoras e segurados podem se valer delas para nivelar seus preços. Alguém que corre muito pode vir a ter um plano mais caro, por exemplo. E em decorrência disso, esta pessoa pode vir a diminuir a velocidade também. Além do mais, o dono do veículo terá acesso a dados sobre desgastes, como em decorrência do uso do freio, por exemplo, e o consumo de gasolina. A partir da tecnologia de internet 5G, será possível que os carros se comuniquem entre si (sistema Machine to Machine – M2M), evitando colisões.

Indústria

Uma vez conectado, o maquinário irá avisar sobre necessidade de manutenção, o que evita os estragos que acabam atravancando a produção. Ou seja, com isso, passa a ser possível consertar um equipamento antes que ele chegue ao ponto de afetar o rendimento da fábrica.

Apoio público

Durante a Futurecom foi lançada a proposta da Frente Parlamentar Mista de Apoio às Cidades Inteligentes, que será apresentada formalmente em Brasília por deputados e senadores no mês de novembro. Está sendo elaborado, também, o plano de ação nacional para Internet das Coisas, conduzido pelo BNDES e Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com validade de 2017 a 2022.

Fonte: GeraçãoE

Administrador de Empresas, especialista em Marketing Multinível, deficiente auditivo com perda auditiva de severa a profunda, gestor dos projetos Oportunidade Inteligente e Deficiente Empreendedor.

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