Pessoas com Deficiência apostam no próprio negócio e se destacam

ceid01_645306c81c01/07/2014 – 12:03

Abrir o próprio negócio tem sido objetivo de muitos teresinenses que procuram nos órgãos de apoio aos microempreendedores as orientações necessárias para conquistar um espaço no mercado de trabalho. Não é fácil, a disputa é intensa e o caminho do empreendedor e a busca incansável pelo diferencial.

É assim para Francisco de Sousa Moura, o Seu Jacó, de 80 anos, que perdeu as pernas em um acidente de trabalho com um trator de esteira. A mesma batalha é vivida diariamente por Antônio Carlos Gomes dos Santos, 49 anos, que teve paralisia infantil nos primeiros anos de vida, o que comprometeu o desenvolvimento dos membros inferiores.

Para os dois teresinenses, as dificuldades impostas pelas necessidades especiais são apenas detalhes. Seu Jacó chegou à Teresina em 1957 e trabalhou como operador de máquina até que o acidente de trabalho mudasse a sua vida. “Passei dois anos hospitalizado, quando saí me diseram pra eu pedir esmola, mas eu não sou homem disso, então comecei a engraxar sapatos na praça Rio Branco”, relembrou.

Após o acidente, Seu Jacó não conseguiu emprego formal e encontrou na praça o seu espaço. O trabalho informal sustentou a família durante muito tempo, até que a aposentadoria chegou. “Dá pra viver como engraxate, eu criei todos os meus filhos com essa profissão. Tenho casa própria, vivo feliz e com o dinheiro que ganho faço minhas vontades”, ressaltou.

Por sua vez, seu Carlinhos, como é conhecido pelos clientes, cresceu numa cidade pouco acessível, mas não se intimidou. “Meus avós sempre cuidaram de mim, eu completei o segundo grau e consegui um trabalho como operador de caixa, mas o salário já não compensava, então decidi abrir o meu negócio. Tinha uma família que dependia de mim financeiramente, tive que dar o meu jeito”, recordou.

Há 10 anos trabalhando na Av. João XXIII com o conserto de bicicletas, Seu Carlinhos inicia a luta diária logo cedo, às 7h e encerra no final da tarde. Durante esse período, são inúmeras as bicicletas que chegam pra lubrificar, desempenar, remendar pneu e regular. “Sou aposentado e com o dinheiro da oficina consigo manter a minha família que depende de mim financeiramente. Se eu for trabalhar no mercado formal, ganho menos”, avaliou.

Seid tem projetos para os empreendedores com deficiência

Dados da Secretaria Estadual para Inclusão da Pessoa com Deficiência (Seid) apontam que o Piauí possui 27% da população total do Estado com algum tipo de deficiência, acima da média nacional, que é de 24%. A capital, Teresina, também tem um alto índice de Pessoas com Deficiência, com uma parcela de 26%.

Para Larissa Maia, que comanda a Seid, a articulação com a Secretaria do Trabalho e Empreendedorismo (Setre), através do projeto Trabalho para Todos, e órgãos como a Associação dos Jovens Empresários (Aje) é fundamental para ampliar as oportunidades das PCDs no campo do empreendedorismo.“Já firmamos parceria com a Aje para estimular o empreendedorismo através da qualificação. O empresariado jovem é o herdeiro dos grandes grupos e podem abrir o mercado para a acessibilidade adequada. Vamos trabalhar com workshops e seminário voltados ao empreendedorismo”, explica a gestora.

A Seid fará o trabalho de difundir informação com o público alvo, facilitar o acesso ao crédito e ofertar consultorias. “O mercado empreendedor deve ser conquistado pelas Pessoas com Deficiência. Esses trabalhadores são capazes e produzem, participam do desenvolvimento dos projetos das empresas e por conseqüência, do Estado, reforça Larissa Maia.

Fonte: Andressa Figuerêdo/ Jornal O Dia

Administrador de Empresas, especialista em Marketing Multinível, deficiente auditivo com perda auditiva de severa a profunda, gestor dos projetos Oportunidade Inteligente e Deficiente Empreendedor.

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