Negócios. Um mercado cada vez mais acessível

1109dom1410Fábio Holanda, tetraplégico desde 2008, dirige o próprio carro adaptado para suas limitações físicas

REPORTAGEM.DOM 11/09/2016

Mercado para pessoas com deficiência gera negócios lucrativos em Fortaleza. Nicho com alto potencial de consumo ainda pode ser bastante explorado

Super-heróis ou não, atletas com deficiência vêm chamando a atenção de todo o planeta nos Jogos Paralímpicos, sediado no Rio até o próximo domingo, 18. Para além do grande evento, pessoas com deficiência – seja visual, auditiva, motora ou intelectual – garantem lucro no mundo dos negócios. Em Fortaleza, arquitetos, donos de oficinas, de fábricas de cadeiras de rodas e de produtos ortopédicos trabalham para atender as demandas específicas deste público e movimentam a economia.

Fábio Holanda, 36, tenente reformado da Polícia Militar e consultor jurídico, sofreu um acidente de carro, quando viajava em 2008, que o deixou tetraplégico. Após várias sessões de fisioterapia, recuperou parte dos movimentos do braço e mudou alguns de seus hábitos de consumo. Há cerca de cinco anos, ele contrata serviços de uma oficina local para conduzir o próprio veículo, com o qual vai de casa para o trabalho. “Com o carro, tenho a minha liberdade de ir e vir”, enaltece.

Tarcísio Marques, proprietário da Mixcar, oficina onde Fábio faz adaptações veiculares, investiu no segmento ao ver que um amigo com deficiência sempre se via obrigado a enviar o carro a São Paulo para modificações. O serviço ainda não existia na Cidade. Após mais de 20 anos, a empresa cresceu e hoje conta com pontos de apoio em Teresina e em Juazeiro do Norte, faturando até R$ 55 mil por mês, apenas com serviços de adaptação. A nova aposta de Tarcísio é o aluguel de um frota, ainda reduzida, de carros modificados.

Adaptações

Já familiarizado ao novo estilo de vida, Fábio vem ao longo dos últimos anos promovendo mudanças não só no interior de seu carro, como também dentro de casa e no ambiente de trabalho, hoje adequado com rampa, calçada rebaixada, portas largas com maçanetas do tipo alavanca, barras laterias de apoio e elevador.

Romeu Duarte, arquiteto, urbanista e professor da UFC, defende que, independente do projeto, profissionais da área são orientados a seguir princípios do Desenho Universal, que prevê a acessibilidade igualitária de pessoas com deficiência ou não a edificações, espaços e equipamentos urbanos. O arquiteto acredita que, por se tratarem de “trabalhos especiais”, os projetos adaptados tendem a custar mais caro, pois “tudo tem que ser completamente pensado para as necessidades de alguém e dá mais trabalho”. Mas não revela valores.

Fábio, porém, afirma que as normas técnicas não são aplicadas, principalmente por conta dos altos custos. “Você não consegue achar uma rampa que tenha a inclinação correta e quando tem é uma inclinação muito íngreme”, critica ele, que atenta para a falta de banheiros unissex adaptados nos prédios. “O tetraplégico precisa de assistência de outra pessoa para ir ao banheiro. E quando essa pessoa é sua esposa? Você é homem e ela mulher. Entra no masculino ou feminino?”, pergunta.

Para o consultor jurídico, apesar de existirem serviços especializados, muitas pessoas estão perdendo a oportunidade de ver a acessibilidade como um nicho de negócio. “Queira ou não, as pessoas com deficiência se mantém. Se elas têm poder aquisitivo, têm condições de chegar ao setor terciário e escolhem produtos melhores”. Ele assegura que a venda presencial pode resultar na compra de produtos de melhor qualidade, mais caros, e até mesmo de itens a mais.

Fonte: O POVO

Administrador de Empresas, especialista em Marketing Multinível, deficiente auditivo com perda auditiva de severa a profunda, gestor dos projetos Oportunidade Inteligente e Deficiente Empreendedor.

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