Aplicativo converte documentos em áudio para auxiliar deficientes visuais

app-estudo_thumb_medium400_App auxilia deficientes visuais e em estudos ao converter documentos em áudio – Foto: Divulgação/Examtime
C&T Inovação – BR

SEX, 19 DE AGOSTO DE 2016 15:36
ESCRITO POR LEANDRO CIPRIANO

No Brasil, cerca de 6 milhões de pessoas têm dificuldades para enxergar e mais de 500 mil são cegas, de acordo com o último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o que tornou esse tipo de deficiência a mais representativa entre os brasileiros.

O grau intenso ou muito intenso da limitação impossibilita 16% dos deficientes visuais de realizarem atividades habituais como trabalhar, se divertir ou ir à escola. Até pouco tempo, o sistema de leitura em braile era o único modo de pessoas nesta situação se instruírem e entenderem o mundo a sua volta. Com o avanço da tecnologia, cada vez mais ferramentas têm sido elaboradas para diminuir as dificuldades cotidianas. Um exemplo disso veio do trabalho da startup paraibana DitanGo, que desenvolveu um aplicativo de voz que tem como um dos principais objetivos incluir os deficientes visuais no mundo digital.

A ferramenta permite que pessoas com deficiência visual convertam os seus documentos de texto (PDF, DOC ou TXT, por exemplo) em um arquivo de áudio (mp3) por meio de um sintetizador de voz de alta qualidade. Depois de convertido, ele fica disponível em uma biblioteca privada online, podendo ser acessado ou baixado a qualquer momento, por computador, celular ou tablet.

Segundo o analista de sistemas e sócio fundador da DitanGO, Felipe Silva, a situação dos deficientes visuais chamou a atenção da startup, que desenvolvia o aplicativo voltado para otimizar o tempo de estudo de alunos e atender pessoas com déficit de aprendizagem. Agora, a ferramenta também auxilia pessoas com limitações na visão. “O aplicativo permite que os deficientes visuais tenham acesso a qualquer tipo de texto, mesmo sem terem sido traduzidos em braile. Eles vão ter acesso a conteúdo de livros, apostilas ou treinamentos dentro de poucos minutos, através da conversão de áudio”, explicou o analista.

Para aprimorar o aplicativo e torná-lo um diferencial em relação a outras soluções no mercado, que em sua maioria ditam o que é apresentado na tela no momento em que o leitor é ativado, Felipe, junto do co-fundador e atual diretor de Tecnologia da DitonGO, Anderson Teixeira, pesquisaram quais tecnologias poderiam tornar a ferramenta mais robusta e acessível.

“Além do sintetizador para converter o documento em áudio de alta qualidade, o aplicativo reconhece mais de 40 idiomas diferentes. Basta apenas o usuário informar qual o idioma do documento enviado. O DitanGo não tem limitação de quantidade de usuários e trabalha com várias línguas. Nossa ideia é expandí-lo pelo mundo, para atender qualquer pessoa que precise”, comentou.

Desafio

Segundo Felipe, a principal dificuldade no desenvolvimento do aplicativo foi entender mais sobre as limitações sofridas pelos deficientes visuais, de forma a auxiliá-los da melhor forma possível com a ferramenta. “O maior desafio foi realmente entrar no mundo dos deficientes visuais, pesquisar, entender como eles a utilizariam. A gente começou um trabalho junto a um instituto de cegos, para testar e compreender como era a vida deles, o que eles utilizam, para deixarmos o DitanGo o mais acessível possível para eles”, disse.

Atualmente, o aplicativo atende entre 500 e 600 usuários, com possibilidade de expandir sua atuação. “Vamos testar a ferramenta para deixá-la a melhor possível, para então começarmos campanhas mais pesadas de marketing e divulgar para o mundo”, garantiu Felipe.

Auxiliado pela Incubadora Tecnológica de Empreendimentos Criativos e Inovadores (ITCG) com consultorias jurídica, de marketing, de negócios, e networking, a startup agora pretende ampliar suas atividades concorrendo a um edital da Samsung, elaborado em parceria com a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec). “O aporte que eles oferecem é de R$ 250 mil. Na verdade isso é para transformar o DitanGO hoje em algo muito maior, que vá atender a muito mais pessoas e usuários”, pontuou.

(Leandro Cipriano, da Agência Gestão CT&I)

Fonte: Agência Gestão CT&I

Administrador de Empresas, especialista em Marketing Multinível, deficiente auditivo com perda auditiva de severa a profunda, gestor dos projetos Oportunidade Inteligente e Deficiente Empreendedor.

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