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slide322/08/2014 by Dolores Affonso

Esses dias, conversando com um amigo pelo facebook, percebi o quanto o Brasil, apesar de um país super empreendedor, é atrasado no que diz respeito ao empreendedorismo da pessoa com deficiência. Sim, é verdade!

Quando falamos em empreendedorismo, logo nos vem à mente a visão de uma pessoa determinada, sonhadora e com objetivos bem definidos que busca inovar, “pensar fora da caixa”, não é mesmo?

Sim, mas normalmente nos vem à mente também a ideia de uma pessoa sem deficiência, que seja saudável e que tenha todos os membros, capacidades e sentidos funcionando perfeitamente. Empreender é para os fortes! Em geral, acredita-se que pessoas com deficiência são incapazes. Esta visão errônea vem de uma realidade histórica em que pessoas com deficiência eram sumariamente eliminadas ou escondidas em séculos passados e, ao longo do tempo, foram sendo “acolhidas” na sociedade como “coitados”, aqueles que precisam de piedade e ajuda, um “peso” que a sociedade precisa carregar. Neste sentido, nada mais “normal” do que achar que não são capazes de empreender, abrir um negócio ou empregar outras pessoas. Mas este “preconceito” também se reflete no próprio deficiente.

Muitos que me procuram se sentem incapazes de empreender, seja pelas limitações causadas pela deficiência, por dificuldades de mobilidade, falta de incentivo familiar ou políticas públicas. Quando ouço isso, fico pensando que são medos e dificuldades reais, mas que podem ser superadas. Quando encontramos as ferramentas certas e buscamos dentro de nós a força para realizar, isso se torna possível. Neste sentido, o empreendedorismo digital vem ganhando força. Trabalhar a distância e online já é realidade no Brasil e em diversos países. E montar um negócio próprio online pode ser uma saída para aqueles que possuem dificuldades de mobilidade, tendo em vista a possibilidade de trabalhar de qualquer lugar! Na verdade pode se tornar a maior oportunidade da sua vida! Quando você se torna um empreendedor digital, não importa se você não enxerga, não ouve, não anda ou tem qualquer outra deficiência. O que importa é sua determinação, dedicação e sonho!

Elaborar um site, uma loja virtual, um curso, um e-book e tantas outras possibilidades, inclusive a de trabalhar sendo afiliado/representante de outros negócios digitais são formas lícitas e muito rentáveis de empreender na internet. O Congresso de Acessibilidade é um exemplo de empreendimento digital.

Mas se olharmos ao redor e pensarmos melhor a respeito, é possível perceber que, apesar de poucos relatos de empreendedores deficientes ao longo da história mundial, a sociedade evoluiu aos poucos e atualmente há diversos empreendedores com deficiência atuando em vários segmentos sociais, não somente no assistencialismo e filantropia. No Congresso de Acessibilidade, evento gratuito e online que será realizado de 21 a 27 de setembro de 2014, temos vários exemplos de empreendedores atuais como as cadeirantes Tabata Contri e Carolina Ignarra, que criaram uma empresa com foco na inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho; a Raquel Barreto, surda, que montou a editora Libras Escrita; a Jane Peralta que criou a Amputados Vencedores; o Maxx Figueiredo, que criou o site Par Especial etc.

A grande verdade é que uma pessoa com deficiência pode superar seus medos, dificuldades, limitações e buscar conhecimento e informações com determinação para realizar seus sonhos como qualquer outra pessoa. Sempre é tempo de sonhar e realizar. Não importa a idade, a deficiência ou o que o mundo pensa de nós, mas o que pensamos e acreditamos conseguir realizar.

Fui pesquisar mais a fundo e encontrei coisas muito interessante, blogs, matérias e até um projeto muito bacana do Sebrae: Sebrae Mais Acessível. O projeto tem por objetivo promover o empreendedorismo das pessoas com deficiência. Uma parceria entre o Sebrae e a Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência do estado de São Paulo que visa também a contratação de pessoas com deficiência pelas micro e pequenas empresas, independente da Lei de cotas.
De acordo com o superintendente do Sebrae-SP, Bruno Caetano, os números são alarmantes. Temos cerca de 45 milhões de pessoas com deficiência no Brasil e apenas uma pequena quantidade das que estão em idade ativa possui emprego.
“O objetivo do Sebrae Mais Acessível é estimular as pessoas com deficiência a empreenderem e também incentivar os pequenos negócios a contratarem, mesmo não se enquadrando na Lei de Cotas, que obriga as empresas com 100 ou mais funcionários a preencherem de 2% a 5% dos seus cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas com deficiência”, enfatiza Caetano.

“Esta parceria representa um marco histórico, ao promover, de forma inédita no país,a empregabilidade e o empreendedorismo da pessoa com deficiência na pequena empresa. Temos procurado criar mecanismos. Se por um lado, o mercado está convencido da importância de tratar dessa questão da diversidade humana de maneira séria, por outro, o governo do estado de São Paulo tem buscado soluções de capacitação para essas pessoas”, conta Linamara Rizzo Battistella.

Outro recurso oferecido é o Projeto Libras. Ele disponibiliza intérprete de libras (língua brasileira de sinais) para o cliente com deficiência auditiva e/ou surda. O interessado em ter o serviço à disposição nos eventos presenciais deve solicitar a presença do profissional no ato da inscrição em um dos 33 escritórios regionais ou pelo0800 570 0800. O benefício é gratuito e a única exigência é que o pedido seja feito com cinco dias úteis de antecedência.

O que você está esperando?

Fonte: Sebrae e Blog Lounge Empreendedor.
http://www.congressodeacessibilidade.com/empreendedorismo-digital-oportunidade-para-pessoas-com-deficiencia/

Administrador de Empresas, especialista em Marketing Multinível, deficiente auditivo com perda auditiva de severa a profunda, gestor dos projetos Oportunidade Inteligente e Deficiente Empreendedor.