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deficienciaDIEGO IWATA LIMA
DE SÃO PAULO

07/03/2016 02h00

A educadora física Carolina Ignarra, 37, não chega a dizer que a deficiência é positiva. Mas afirma que o acidente de motocicleta que a deixou paraplégica, em 2001, foi um trampolim.

“Eu sou um outdoor do que faço”, diz a fundadora da Talento Incluir, que aloca pessoas com deficiência no mercado de trabalho.

O objetivo da consultoria é oferecer para pessoas com deficiências físicas e sensoriais vagas em que elas possam exercer suas habilidades, explica ela, que recebeu ofertas de trabalho fora do seu perfil depois de sofrer o acidente.

“As empresas, normalmente, só pensam em preencher a Lei de Cotas”, diz.

A Talento Incluir alocou 300 pessoas em 2015 e cresceu 150% no último ano. Em 2014, faturou R$ 1,5 milhão.

Bruno Mahfuz, 31, cadeirante desde 2001, após acidente de trânsito, viu na dificuldade de acessibilidade um possível negócio.

Mahfuz e os sócios Leandro Beldi, 37, e Otávio Ribeiro, 36, investiram R$ 100 mil para lançar o aplicativo Guia de Rodas, que avalia o nível de acessibilidade de prédios e locais em geral.

Mahfuz espera que o app se torne também um instrumento de conscientização.

“O dono do restaurante da esquina às vezes nem se deu conta de que está excluindo uma parcela de seu público. Aparecer mal avaliado no guia pode despertá-lo”, diz.

A expectativa para o app lançado em 15 de fevereiro é chegar aos 50 mil downloads até o fim do ano e recuperar o investimento em um ano e meio. A seguradora Porto Seguro tornou-se recentemente parceira da empresa.

ADEQUAÇÃO

Não fossem os leitores de tela de computador, os deficientes visuais estariam excluídos de posições relevantes no mercado de trabalho.

Em 2010, Fernando Botelho, 45, cego desde 2001, criou o F123 Visual, um leitor com custo muito mais acessível: R$ 300 contra cerca de R$ 5.000 de alguns modelos.

“Quem quer trabalhar com o público com deficiência precisa levar em conta que, na média, trata-se de uma população com baixo poder aquisitivo”, afirma Botelho.

No ano passado, o empresário lançou um segundo produto. O F123 Access serve para facilitar o acesso à internet de um modo mais preciso, corrigindo erros de programação de alguns sites.

“Alguns leitores de tela, por exemplo, ao se depararem com uma foto, não conseguem ler a legenda e acabam dizendo o nome do arquivo”, explica o empresário.

MODA

A carioca Luana Cavalcante, 23, nasceu com paralisia cerebral, o que afeta o movimento de suas pernas.

Formada em moda, ela fundou a Sweet Angels em 2011 com investimento familiar inferior a R$ 1.000.

Cavalcante desenha e comercializa roupas adaptadas à realidade de quem tem problemas de mobilidade.

“Eu levava 45 minutos para me vestir”, afirma.

As peças têm laterais de velcro, fechos com argola e zíperes posicionados para abrirem com maior largura.

“Por ter formação em moda, me preocupo com o design”, diz. Cavalcante

Para a empresária, que vende pela internet, a principal dificuldade é ganhar a confiança do consumidor.

“Mais do que o público comum, a pessoa com deficiência quer experimentar a peça antes”, diz. Ela acredita que sua empresa vai decolar quando suas peças deixarem de serem vistas como nicho.

“Se houvesse seções de roupas para pessoas com deficiência em lojas de departamento, por exemplo, minha produção e meu faturamento certamente seriam maiores”, afirma Cavalcante.

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PRESTE ATENÇÃO
Conheça seu consumidor:

MARKETING
Pessoas com deficiência existem em todas as classes sociais e faixas etárias. Por isso, promover um produto voltado para esse público requer uma campanha ampla, com uma mensagem clara e uma comunicação focada nas funcionalidades dos produtos.

PRECIFICAÇÃO
Pesquisas apontam que o consumidor com deficiência física, em média, tem renda menor que a do restante da população. É importante se lembrar disso na hora de precificar o item e fazer projeções de receita e faturamento

ESTIGMAS
O consumidor com deficiência física não quer ser encarado por suas diferenças, mas sim pelo que o faz igual ao resto da população. Driblar estigmas e o “coitadismo” ao falar com o cliente é um dos maiores desafios deste mercado.

Fonte: Folha de São Paulo

Administrador de Empresas, especialista em Marketing Multinível, deficiente auditivo com perda auditiva de severa a profunda, gestor dos projetos Oportunidade Inteligente e Deficiente Empreendedor.